quarta-feira, 26 de julho de 2017

Histórico: manifestação por ‘independência’ leva multidão às ruas em Rio Tinto

Cresce o número de moradores que apoiam o movimento “Liberta Rio Tinto”.



População reivindica da CTRT preferência de compra das casas (Foto: Lenilson Balla)
A população da tranquila cidade de Rio Tinto, no Litoral Norte paraibano, participou de uma grande manifestação histórica na tarde desta quarta-feira (26). Uma multidão percorreu as principais ruas do município de pouco mais de 24 mil habitantes. Os cidadãos reivindicam da Companhia de Tecidos Rio Tinto (CTRT), preferência no direito de compra das residências que são pagas pelos moradores há décadas.
Conforme o presidente da Associação dos Moradores, José Antônio, as casas do grupo da família Lundgren em Rio Tinto, foram “vendidas” e a população não foi informada da “negociação”. Segundo ele, já existe confirmação da venda dos imóveis. “A Companhia hoje pertence ao Grupo Português Avelar. A operação já vinha existindo desde 2012”, revelou.
Assista o vídeo: 
Apoiador do movimento, o prefeito Fernando Naia (PSB), disse que o povo não pode ter medo de ir às ruas. “O prefeito e cidadão que nasceu em Rio Tinto está aqui. Queremos ver mais de 10 mil pessoas nas ruas, esse movimento não vai parar por aqui. É apenas o começo de uma luta”, frisou.
O administrador paroquial da Matriz Santa Rita de Cássia, padre Isaías Alfredo, falou que a manifestação representa um “projeto de liberdade” e que a Igreja é solidaria com as causas da comunidade. “Nós aprovamos está luta em todos os sentidos. Ao povo de Deus, não tenham medo de lutar pelos seus direitos. A luta segue, vamos caminhar para vitória. Deus está conosco”, profetizou o líder religioso.
Um dos representantes do Poder Legislativo municipal, cacique-geral e vereador Sandro Gomes (PDT), classificou o protesto de “grito pela independência”. Em entrevista ao PBVale, o parlamentar afirmou que existe um número considerável de residências que foram reformadas pelos moradores. “Não acho justo ter acontecido à venda, deixando toda comunidade amedrontada. A população indígena apoia os nossos irmãos”, garantiu.
Um documento foi entregue no escritório da Companhia pela – Comissão da Mobilização Popular Liberta Rio Tinto – pedindo informações a respeito da negociação com o Grupo Imobiliário Avelar e de mudanças na direção local da empresa.
Confira abaixo imagens feitas pelo repórter Felipe França: 
Procurado pela reportagem, o gerente administrativo e financeiro da nova diretoria da CTRT, Ruy Duarte, informou que nada mudou entre corporação e os inquilinos. Mas preferiu não falar a respeito das alegações dos organizadores do protesto. Durante a semana, uma nota foi entregue nas residências, além de carro de som informando que a notícia da venda dos imóveis não era verdade.


Índios Potiguara da Paraíba.Com
Da Redação, PBVale

domingo, 12 de março de 2017

‘Terra não enche barriga’, diz ministro de Temer ao criticar índios

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
© Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Amigo da bancada ruralista no Congresso e tendo o agronegócio como principal financiador de suas campanhas, além de ter sido relator da PEC 215, uma proposta de emenda à Constituição que altera o sistema de demarcação de terras indígenas, o novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, afirmou que “terra não enche barriga”, ao comentar os conflitos agrários no Brasil, especificamente a questão dos índios.
“O que acho é que vamos lá ver onde estão os indígenas, vamos dar boas condições de vida para eles, vamos parar com essa discussão sobre terras. Terra enche a barriga de alguém?”, disse o ministro de Temer, que assumiu a cadeira no último dia 7.
Ele também criticou a atuação de ONGs ligadas à causa. “Ouço muito essas ONGs levando dinheiro, inclusive dinheiro oficial na saúde. A saúde do indígena. Eu vejo, você vê, os indígenas são tratados quase como uns animais”.
Depois, defendeu a CPI da Funai, em andamento na Câmara e que é formada em sua maioria por ruralistas, como uma forma de esclarecer os desmandos no setor.
Ele ainda disse que não escolherá nenhum lado na batalha entre ruralistas e índios, e fala em pacificar a crise no campo usando a Constituição. As informações são da Folha de S. Paulo.
O ex-presidente da Funai e sócio-fundador do Instituto Socioambiental (ISA), Marcio Santilli, rebateu as declarações. “Os índios não estão preocupados em encher a barriga, estão preocupados em ter suas terras demarcadas e respeitadas”, afirmou.
Em novembro do ano passado, em uma decisão incomum, a Casa Civil da Presidência da República mandou devolver à Funai 13 processos de demarcação de terras indígenas, que se referem a 1,5 milhão de hectares em 11 Estados, que aguardavam homologação presidencial.

Índios Potiguara da Paraíba.Com
Com  http://pbvale.com.br

sábado, 11 de março de 2017

Raniery diz que se fechar os olhos vê o rosto de Lula na transposição

Raniery Paulino
Raniery Paulino
O deputado estadual Raniery Paulino, do PMDB do presidente Michel Temer, disse nesta quinta-feira (9), véspera da inauguração das obras da transposição do São Francisco, que se fechar os olhos, se vê o rosto do ex-presidente Lula. Já na Paraíba, se fosse para dar um rosto à obra, ele veria Marcondes Gadelha, que foi um visionário da transposição. “Nós temos que dar mérito a quem tem mérito, dar honra a quem tem honra”, disse.
Raniery destacou, no entanto, o compromisso de Michel Temer que, “mesmo com a cara de Lula, não haver nenhum tipo de descontinuidade em relação às obras”, disse, apontando a prática comum, segundo ele, na Paraíba.
“O dono é o povo brasileiro, os beneficiários são os nordestinos que estão carecendo d’água”, disse.
Raniery destacou o trabalho dos ex-governadores José Maranhão e Wilson Braga na realização de obras de segurança hídrica na Paraíba.

Indios Potiguara da Paraiba.Com
Com Do ClickPB

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

'The Guardian': Escola de samba atrai ira do agronegócio ao defender indígenas

Enredo defende luta pela conservação da floresta de hidrelétricas e agronegócio


The Guardian avalia que a realização de um apelo ambiental diante de uma audiência de dezenas de milhões de dólares é uma perspectiva alarmante para o poderoso setor agrícola do país

Matéria publicada nesta sexta-feira (17) pelo The Guardian conta que o samba enredo escolhido pela escola de Samba do Rio de Janeiro Imperatriz Leopoldinense está causando grande polêmica entre políticos e empresários do Brasil. É que o tema defende os povos indígenas e coloca o desmatamento, assim como hidrelétricas e o agronegócio, como grandes vilões da natureza. 
 “O índio luta pela sua terra, da Imperatriz vem o seu grito de guerra! Salve o verde do Xingu”, diz o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, preparado para o Carnaval deste ano no Rio de Janeiro.
O Guardian comenta que o tema “Xingu, o clamor que vem da floresta" criado com o intuito de homenagear os indígenas da região e sua luta pela preservação da floresta e sua cultura também critica o extrativismo insustentável, a hidrelétrica de Belo Monte e agradece aos irmãos Villas-Bôas, enquanto as alas mostram a exuberância da cultura indígena e os males que os afetam, como desmatamento, uso agressivo de agrotóxicos, queimadas e poluição.
O diário observa que a realização de um apelo ambiental diante de uma audiência de dezenas de milhões de dólares é uma perspectiva alarmante para o poderoso setor agrícola do país, que recentemente encorajou o governo a enfraquecer as regras sobre demarcação de terras indígenas e proteção florestal.
O noticiário britânico informa que a Associação Brasileira de Criadores de Gado acusou a escola de samba - que ganhou o concurso anual oito vezes - de uma conspiração para difamar os agricultores que, segundo ela, devem ser tratados como heróis nacionais, pois representam 22% do PIB.
"É inaceitável que o festival brasileiro mais popular, que tem a admiração e o respeito de nosso setor, faça um show de sensacionalismo e ataques infundados", disse em comunicado.
Isso foi ecoado pela Associação Brasileira da Indústria de Arroz, que alertou sobre "grandes danos potenciais ao país, internamente e no cenário internacional, devido à evidente ignorância e imprudência com que a escola de samba retratava o agronegócio".
Em uma reação sinistra, o congressista Ronaldo Caiado - membro do poderoso bloco ruralista aliado aos interesses do agronegócio - propôs uma investigação da escola e suas ligações financeiras, afirma o Guardian.
O presidente da escola de samba, Luiz Pacheco Drumond, disse que estavam interpretado mal as letras. "Belo monstro", disse ele, era uma referência à hidrelétrica de Belo Monte e não ao agronegócio. Mas, depois de ter passado vários dias com tribos do Xingu, o sujeito, ele não tinha remorsos sobre o chamado para a conservação da floresta.
Os defensores dos direitos indígenas estão muito satisfeitos, afirma o The Guardian.
"Isso é excelente", exclamou Ivaneide Bandeira, da Associação de Defesa Ethno-Ambiental de Kaninde. "A ideia da Imperatriz colocar esta questão no seu desfile deve ser aplaudida. Foi uma atitude de coragem e muito inteligente".
A Associação Brasileira de Criadores de Gado tem acusado a escola de samba de planejar 'um show de sensacionalismo e ataques infundados', descreve o periódico.
Eduardo Viveiros de Castro, professor de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que o único caso semelhante que ele poderia pensar foi em 2004 quando a escola de samba da Portela explorou os mitos e o folclore do passado da Amazônia. Desta vez, no entanto, disse que a Imperatriz estava se concentrando na controvérsia exploração contemporânea, por vezes indevida.

Índios Potiguara da Paraíba.Com
Com:  Jornal do Brasil

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

'Índio bom é índio morto'

Na volta de um passeio a cavalo, cerca de vinte indígenas da etnia Tupinikim, incluindo mulheres e crianças, foram abordados de forma violenta pela Polícia Militar no final da tarde desse sábado (4) na Rodovia ES-010, na altura da Praia dos Padres, em Aracruz, norte do Estado.
As famílias retornavam de Mar Azul, quando cerca de quatro policiais se aproximaram aos gritos e com arma em punho, mandando que todos descessem e deitassem no chão. A alegação foi a obstrução indevida da via.

Douglas Silva, presidente da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani (AITG), conta que naquele trecho, sem acostamento, de fato os cavalos ocuparam a pista, mas, como pode ser constatado em vídeo postado nas redes sociais, não há outro local para os cavalos naquele ponto da rodovia.
 
O vídeo (acima) também mostra as tentativas de diálogo dos indígenas, inclusive chamando um dos policiais pelo nome, apelando para seu bom senso, por conhecer os abordados. Em nenhum momento, no entanto, os policiais manifestaram qualquer possibilidade de diálogo, mantendo as armas apontadas.

Num ato considerado abuso de autoridade, os policiais então abriram fogo contra os cavalos, ferindo gravemente dois ou três animais. Um deles inclusive continuava na rodovia até a publicação desta matéria, pois, com hemorragia, não consegue se locomover. Um veterinário do Centro de Zoonoses estava a caminho para prestar atendimento. Vários indígenas também foram machucados, por balas de borracha e cassetetes.

Até policiais em greve foram se somar à violência

Segundo os índios, ao requisitarem a presença da Polícia Federal, foram ainda mais insultados, com falas preconceituosas dos policiais – que deveriam ser os guardiães da lei – inclusive como “Índio bom é índio morto”. “Foi mais uma prova da ‘tolerância zero da Polícia com os indígenas”, lamenta Douglas. Em um certo momento, todos os 40 policiais que estavam em greve desceram até o local. “Pra atender a sociedade eles não saem, mas pra bater em índio, sim”, revolta-se.

Diante da violência, o coordenador técnico local da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Aracru, Vilson Benedito de Oliveira, o Jaguareté, saiu em defesa das vítimas e foi então um dos mais agredidos. Tomaram seu celular e o espancaram. Mesmo muito machucado, Jaguareté foi detido, levado junto com mais seis pessoas – os caciques de Irajá e Caieiras Velha, o presidente da AITG, que nos relatou os acontecimentos, uma liderança de Caieiras e dois funcionários não-indígenas da Funai – para a delegacia de Aracruz, onde todos passaram a noite. Somente na manhã deste domingo (5), outras lideranças conseguiram levar um advogado até a delegacia, para soltura dos companheiros detidos.

A Rodovia Primo Bitti – que atravessa as aldeias de Caieiras e Irajá – está bloqueada desde o ocorrido no sábado e, a partir desta segunda-feira (6), serão fechadas também a Rodovia ES-010, local do crime, e a estrada que liga a cidade de Aracruz à fábrica da Aracruz Celulose (Fibria).

O protesto visa chamar atenção das autoridades. Os indígenas reivindicam ser atendidos pelo coordenador estadual dos Direitos Humanos, pelo secretário estadual de Segurança Pública e pelo governador Paulo Hartung. A pauta inclui outras demandas das comunidades, entre elas o funcionamento da Escola de Ensino Médio de Caieiras, que depende apenas da contratação de mão de obra por parte da Secretaria Estadual de Educação (Sedu).

Índios Potiguara da Paraíba.Com
Com http://seculodiario.com.br